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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Santa Maria in Blues

O 6º Cesma in Blues foi o mais legal que eu fui. Tinha ido na 3ª e na 5ª edição, e esta superou as anteriores. O evento aconteceu no Avenida Tênis Clube. A decoração do palco me dividiu: as luminárias estavam lindas, mas os pedaços de isopor usados no pano de fundo eram, no mínimo, estranhos. Os cartazes, com ícones do blues, pendurados no teto do lugar também foram uma idéia muito boa. Já a cerveja estava bem cara - e nem sempre tão gelada. Cobravam R$3,00 a lata de Bavária e R$3,50 a lata de Heineken.

Storm Blues Band

O primeiro show foi da Storm Blues Band, de Porto Alegre, que foi muito bom. O problema veio assim que acabou a apresentação: não colocaram som mecânico e o pessoal ficou sem música, só ouvindo o burburinho das conversas. Depois de um tempo colocaram o DVD The Blues - the soul of a men, do Win Wenders. Pelo menos a escolha foi boa. Em seguida se apresentou a única banda santa-mariense, a Blues Society, que fez um show legal também com participações do César da Espinha de Peixe na guitarra e depois do Luli Matana, na harmônica. A banda seguinte, Blues Power Trio, do Rio de Janeiro era excelente em termos de qualidade dos músicos, mas as músicas não me agradaram. O que eles tocavam não sei se dava pra chamar de blues. Parecia muito mais um pop rock, algo tipo Creed do que qualquer outra coisa. Mas, como eu já disse, os caras eram fodas como músicos. E como não podia deixar de ser, a atração internacional Peter Mad Cat ficou para o final, e sua apresentação foi mais longa do que as outras - até porque ele estava tocando em companhia de outra banda anunciada para o festival: a carioca (e excelente) Big Joe Manfra. Peter Mad Cat tem uma voz excelente (duvido que ele seja fumante) para a idade que aparentava, e tocava harmônica como ninguém. O público acompanhou os shows até o final, por mais cansado que estivesse. E valeu a pena.

Blues Society com César da Espinha de Peixe

O 6º Cesma in Blues aconteceu no último sábado, dia 10. O atraso da postagem se deve, além da agenda e do post sobre o show da Superguidis, no mesmo dia do evento, à um trabalho de Laboratório de Radiojornalismo 2 e ao feriado - estou em Caxias agora.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A "quase triste" Sinfonia do Superstar

Pela segunda vez em 2007, a banda gaúcha Superguidis esteve no Macondo. No último sábado, dia 10, tive a oportunidade de conferir o meu terceiro show da banda - o segundo aqui em Santa Maria. Mas tudo bem, que ninguém pense que eu já cansei e fui lá apenas a trabalho. Pelo contrário: às vezes, o trabalho se torna uma justificativa para que a gente possa se aproximar de artistas que a gente tanto admira! =]

A banda de Guaíba - RS é formada por Andrio Maquenzi (guitarra e voz), Lucas Pocamacha (guitarra e voz), Diogo Macueidi (baixo) e Marco Pecker (bateria). Os guris lançaram o seu disco de estréia, “Superguidis”, no ano passado. Ainda em 2006, o disco foi eleito pela Trama Virtual o melhor disco independente do ano e a banda foi considerada um dos “13 nomes do novo rock que realmente importam”, pela entendida do assunto, Revista Bizz. O segundo disco, “A Amarga Sinfonia do Superstar”, foi gravado no Estúdio Daybreak, em Brasília, com produção de Philippe Seabra, da Plebe Rude – chamado por Lucas durante a nossa entrevista de “Fifi Pedalada” (apelido dado ao músico por Herbert Vianna nos anos 80). O disco, lançado na metade do ano, veio para confirmar a Superguidis como a maior revelação do rock independente do Rio Grande do Sul: jornais de vários estados brasileiros passaram a publicar críticas e mais críticas extremamente incentivadoras, não só sobre o disco, mas também sobre os shows – que foram diversas vezes considerados entre os melhores nos festivais que a banda já se apresentou.

É realmente difícil permanecer indiferente ao som do quarteto que define algumas de suas influências como “cidades fedorentas, infância, tosquice televisiva e Super Nintendo”. As letras simples, nostálgicas e bem-humoradas entram em harmonia com as guitarras barulhentas (por isso, eles acreditam nos riffs!) no mais perfeito estilo garagem. Lembranças da adolescência, sujeira urbana, gírias gaúchas, versos sem pretensão, amores perdidos, a voz de Andrio: belas combinações.

Andrio Maquenzi, vocalista da banda Superguidis, no Macondo

O último show da Superguidis no Macondo foi em maio – pouco tempo antes do lançamento do último CD. Lembro de um show mais curto, e a casa não tão cheia. Já no último sábado, eu vi um Macondo lotado por um público participativo e completamente absorvido pelo show. Não era pra menos: 24 músicas, cerca de uma hora e meia de uma presença de palco enérgica, e os integrantes deixando o cansaço transparecer apenas horas depois, sentados pelo bar com caras de destruídos. Foi a terceira noite de uma sequência de shows, viagens e leva-e-traz de equipamentos - nas noites anteriores, a banda tinha passado por Porto Alegre e Caxias do Sul.

Um dos motivos dessa correria toda era a participação da banda argentina El Mato a un Policia Motorizado, mas os shows foram cancelados devido a um problema de saúde de um integrante, e eles nem chegaram a vir para o Brasil. Esse foi definitivamente o ponto ruim da noite, já que eu acho as músicas do El Mato bem interessantes e estava curiosa para conferir o show.

O divertido Lucas, cuidando para não "comer cabelo" no show

Segurando as pontas dessa ausência inesperada, os guris resistiram bravamente ao desgaste e abriram o show com a música que também abre o último CD, “Por entre as mãos”. O set list contou também com “Mais do que isso”, “Os erros que ainda irei cometer”, “Mais um dia de cão”, “6 anos”, e a ótima “Parte boa”, que conta em seus versos a Amarga Sinfonia do Superstar, e que Lucas chamou de “uma música quase, quase triste” durante o show. Do CD “Superguidis”, “O Raio que o Parta”, “Malevolosidade”, “Piercintagem”, “Discos Arranhados”, “O coraçãozinho”, “O banana”, “O manual de instruções” e a adorável “Spiral arco-íris” estavam entre as escolhidas. Claro, estou mencionando as minhas preferidas. Além das músicas próprias, a banda fez uma cover da música “Cut your hair”, do Pavement, do album Crooked Rain, Crooked Rain de 1994.

Marco, baterista, e Diogo, baixista da banda Superguidis

Apesar dos guris terem tocado os 2 cds quase inteiros, senti falta da que é, pra mim, uma das melhores do CD novo: “Nunca vou saber”. Quando eu conversei com eles, o Lucas me falou que eles teriam tocado essa música, se tivessem lembrado de colocá-la no set list (vivendo e aprendendo, da próxima vez, eu entrevisto eles ANTES do show). A apresentação acabou ao som de “A saudade e o All Star”, música que está no EP “Ainda sem nome”, de 2004.

Quanto à entrevista: conversei com o guitarrista Lucas e o baterista Marco, e ambos foram – apesar do desgaste visível – muito atenciosos e simpáticos. A nossa conversa foi longa e divertida, passando pelos assuntos futebol, cinema, viagens, música e faculdade, mas vamos ao que importa: a banda. Os meninos comentaram a ausência do pessoal do El Mato – e o quanto isso sobrecarregou a Superguidis nos últimos shows. Sobre as apresentações que as duas bandas fizeram juntas na Argentina, Lucas comentou, muito impressionado, a surpresa que tiveram com a empolgação e a receptividade dos argentinos, já que a Superguidis não era conhecida pelos hermanos. Os shows foram em La Plata, cidade da banda El Mato, e na capital, Buenos Aires. Seguimos no assunto das viagens da banda, e mais uma ótima surpresa: em recente passagem pelo Acre, eles descobriram que a Superguidis é uma das bandas mais tocadas em uma rádio de lá.
Sobre as impressões que o movimento de bandas gaúchas causa fora do estado, Marco foi direto: “O que nós tentamos é fugir disso!”, confessou, explicando que o cenário musical gaúcho é fechado demais, admitindo que as bandas tenham apenas um tipo de som característico e a Superguidis e também a Pública, de Porto Alegre, por exemplo, tentam se livrar desse padrão e buscar o mercado lá em cima.

Marco, Lucas, eu e a minha super colaboradora Renata, no bar

O assunto mais comentado foi o CD novo, cuja divulgação vai muito bem, obrigada. Falamos do processo de gravação em Brasília, e da estranheza que a banda sente com a música enquanto ela não fica pronta. “A gente ouve a música de verdade depois que ela já está gravada. Antes disso, só temos as impressões de cada instrumento, separado”, explicou Lucas.
Com “A Amarga Sinfonia do Superstar”, a banda ganhou a simpatia da crítica, a admiração do público e mais espaço no Brasil. “Agora a gente já vê a banda com um objetivo, já não é mais aquela aventura de garagem que era antes. Agora vemos que podemos dar certo de verdade”, comentou Marco. Ainda bem, já que a Superguidis é provavelmente a banda gaúcha – não a banda indie, nem a banda underground, mas a banda gaúcha mesmo - mais promissora do momento.

Enfim, com ótimas companhias e um ótimo show, a minha festa terminou as 6:20 da manhã. Me despedi do Macondo com uma brincadeira do Marco: “Apareçam, a gente vai estar sempre por aqui.”
Assim esperamos!
=]


Superguidis no Macondo tocando uma das minhas preferidas: "O Manual de Instruções", do CD "Superguidis", de 2006


Quem quiser saber mais sobre o Superguidis, pode entrar no site oficial, ou na comunidade da banda no orkut. Para conhecer as músicas, basta fazer o download pelo site da Trama Virtual ou comprar os cds na loja virtual da Monstro Discos.

PS: As fotos foram cedidas pela Renuska e pelo Budu. Os créditos do vídeo vão para a Renuska também - pela gravação e por ter cantado junto.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Red House só para maiores

Confesso que fui ver a apresentação da Red House e seu show "Sex, Dope and Cheap Thrills", dirigido por Débora Aita Gasparetto, apresentado terça, no Theatro Treze de Maio principalmente porque achei o cartaz muito bonito - o que acabou por despertar o meu interesse.

Cheguei lá em cima da hora, as luzes já estavam apagadas e o show prestes a começar.

Eu gosto bastante da Red House, a banda é um ícone do blues santa-mariense e conta com os músicos Bruno Sesti (Bateria), Márcio Grings (Harmônica,Vocal), Rodrigo Ardais (Vocal e Guitarras), Vinícius Brum (Contrabaixo) e Rodrigo Tranqüilo (Piano,Teclados). Mas não posso negar que o show me decepcionou em alguns aspectos.


Blues não faltou, e nem poderia faltar. Aliás, a banda faz um blues de bastante qualidade e tem músicos excelentes. A iluminação do espetáculo é ótima também e conseguiu acompanhar e até ajudar a criar o clima meio erótico, meio bar que acredito que fosse a intenção do show. Tinha mesinhas e até um garçom servindo whisky e cigarros para os integrantes do show. Num telão, atrás da banda, passavam trechos de um filme que eu não reconheci qual era e de um curta com os atores André Assmann, Márcia Chiamulera, Cláudia Pacheco e Gabriela Amado, o que, junto com a iluminação, deu um efeito muito legal.



Infelizmente, o show não merece só meus elogios. A harmônica e o teclado estavam praticamente inaudíveis devido ao volume alto da guitarra e do contrabaixo. A anunciada "participaçao especial do Dj Maxx Chami, adicionando samplers e batidas eletrônicas aos novos temas próprios do quinteto santa-mariense" não fedeu nem cheirou. As intervenções foram super pequenas (o que eu, particularmente, prefiro, já que não confio muito no som eletrônico), mas já que a banda resolveu investir no terreno, poderiam ter ousado um pouco mais. Do jeito que ficou, vi pouca diferença entre o show normal e este especial. Outro aspecto "brochante" nesse show "não recomendado para menores de 18 anos" foram as dançarinas Joyce Rodrigues e Isadora Stefanello, em performance em cima de palquinhos com um bastão no centro. Elas dançavam direitinho, sabiam a coreografia, mas faltou sensualidade, quebrando o clima criado pela música, cenário e efeitos audiovisuais. Os atores André Assmann e Máricia Chiamulera (que esteve excelente no seu monólogo "A Super Mãe Porra Louca", no Santa Cena) interpretaram poemas de Bukowski no intervalo de algumas músicas. Podia ter tido um resultado sensacional, mas, para minha supresa, as atuações foram medianas e o espetáculo perdeu muito da graça em função disso.


Apesar disso, eu recomendo o show pela qualidade musical. Acredito que as próximas apresentações possam ser melhores, já que a maioria dos problemas são solucionáveis, dependendo apenas da prática.

E só para lembrar, sábado tem o 6º Cesma in Blues! A Red House este ano não participa, mas várias bandas de qualidade subirão ao palco:

Onde: Avenida Tênis Clube
Quando: a partir das 23 horas.

Quanto:
Ingressos à venda na CESMA e ATC - R$ 7,00 antecipados e R$ 10,00 na hora.
Mais:
com as bandas
- Storm Blues Band (Porto Alegre)
- Big Joe Manfra Blues Band (Rio de Janeiro)
- Peter Mad Cat (Chicago/USA)
- Blues Power Trio (Rio de Janeiro)
- Blues Society (Santa Maria)
- Jefferson Gonçalves (Rio de Janeiro)

Até lá!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Quase como nos 70

Foto retirada da página da banda no Trama Virtual

Quando ia chegando no bar Santa Ceva vi uma quantidade enorme de carros estacionados ao longo da rua e pensei: “pra variar, o Bar do Pingo deve tá cheio...” Me enganei! O que havia lotado a rua era o público da banda de Hard Rock 70, Outhouse, de codinome Birinight Band (não por acaso, pois as noites de rock and roll, vivenciadas pelo público e pela banda, sempre são regadas a muita birita mesmo).

Na hora que cheguei, a pequena casa de shows estava completamente lotada pelo público fiel que sempre acompanha a banda, o que garante a diversão esperada. Quase não havia lugar para se mexer. Muita gente em pé e ainda assim não parava de chegar gente. Para acomodar os cotovelos em algum canto e bebericar alguma coisa para se envolver na atmosfera ambiente, foi necessário um esforço quase homérico. As pessoas dançavam, riam, cantavam e ouviam o melhor do rock que a banda selecionou para aquela noite.

Uma atenção especial para as composições próprias da banda, que vieram à tona com grande força resgatar os temas da vida boêmia dos amantes do rock. Como, por exemplo, as músicas “Não deixa a o copo cair”, “Ponta a Ponta” , “Agora!”, “ Das Coisas” e “ Desse Whisky” , que podem ser conferidas no blog da banda. Além das músicas autorais o público pode sentir o revival de clássicos como “All right now” do Free, “20th Century Boy” do T-Rex, Black Oack Arkansas, Grand Funk Railroad, Rory Gallagher, Led Zeppelin, Deep Purple, e Casa das Máquinas.

Tudo isso, junto com algumas cervejinhas formava uma atmosfera única, que nos remeteu a tempos que jamais poderemos viver e que muitos desejam que voltasse, a era do apogeu do rock and roll, os bons e velhos anos setenta.

Quem quiser conhecer mais sobre a Outhouse Birinight Band, aí vão alguns links:

Blog da banda:
http://outhousebb.blogspot.com/
Comunidade da Outhouse no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=992467
Outhouse no Trama Virtual:
http://www.tramavirtual.com.br/outhouse
No youtube:
resultado da pesquisa por Outhouse Birinight Band

sábado, 6 de outubro de 2007

Privilégios Universitários + Crema no Macondo

Sexta-feira é o melhor dia para os universitários na cidade. Ou, pelo menos, a melhor noite. O DCE sempre foi a principal opção para começar o nosso final de semana, mas de uns tempos pra cá, outros lugares já entraram no esquema “Universitários não pagam até a meia-noite”, ou algo assim. E o Macondo foi um deles. O melhor disso tudo: esse tipo de festa, por ser uma opção até de certa forma óbvia para os estudantes que não estão numa fase muito abastada, proporciona grandes reencontros com aquelas pessoas especiais, que a gente combina mil vezes de encontrar e sempre acaba encontrando por acaso (pessoas essas muito bem representadas por suas cabeças na foto acima).

Eu estive lá no Macondo ontem, cobrindo a noite de privilégios universitários com Show da Crema. Conheci a banda no início do ano, na formatura de um amigo, e vi o clipe - muito interessante, por sinal - da música “Você sabe sim” (dirigido por Maurício Canterle e finalizado em maio de 2007) no Santa Maria Vídeo e Cinema, no dia da mostra competitiva regional, em julho desse ano. A banda, formada por Márcio Echeverria (vocal e teclado), Macaco (baixo e voz), Alexandre (bateria) e Neny Bittencourt (guitarra e voz), tem cerca de 1 ano e meio de existência, e está com essa formação há 7 meses. Eles acreditam já ter tocado mais de 10 vezes no Macondo - e eu acredito ter estado lá em umas três ou quatro dessas vezes, principalmente em noites de rockabilly! - já que, como explicou Márcio depois do show, a procura dos outros lugares é maior pelo pop e pelo pagode. Mais uma vez, casa lotada, como é de se esperar da comunidade universitária de Santa Maria, e o bom e velho rock n’roll: faltou foi espaço para dançar.

E o rock ontem passou por várias fases e vertentes: Beatles, Rolling Stones,The Who,The Doors, Talkingheads, Creedence, A-HÁ (difícil ouvir Take On Me e optar por ficar parado!), Los Hermanos, Cake, Supergrass, etecéteras, etecéteras - eu adoraria ter feito um videozinho da galera dançando, mas cartão de memória de estagiária não sustenta esse tipo de luxo.

Depois do show, do calor e do empurra-empurra do segundo andar (mas eu não culpo nenhum transeunte, eu realmente tenho o dom de me alojar nos corredores!), encontrei o pessoal da banda e conversamos sobre música, cultura e mídia em Santa Maria.
Ao comentar que a Crema está começando a se dedicar às composições próprias, Márcio reclamou da falta de espaço na cidade para as bandas daqui. E Macaco complementou: “Está faltando incentivo pra quem tem música própria, as casas pedem muito que as bandas toquem cover”.

Tive que concordar. Sem desmerecer o cover, mas eu já cansei de ir a festas em Santa Maria para ouvir dois shows seguidos, e, no segundo show, eu ouvia algumas músicas que no show anterior também tinham sido tocadas. E, como disse Neny durante a conversa: sair de casa pra ver as bandas tocando sempre as mesmas músicas que as outras bandas tocam e que nós temos nos nossos CDs, não faz muito sentido. Quando falamos sobre as casas de shows da cidade, como eu mencionei anteriormente, Márcio apontou para uma certa divisão musical, em que cada lugar acabou por adotar um som quase padrão nas suas festas, e o rock ficou no Macondo. Neny – o mais falante – acrescentou: “o Macondo é um lugar que investiu numa proposta diferente e deu certo. Aqui rola teatro, música, cinema.... Falta as pessoas montarem alguma coisa e acreditarem no que estão fazendo, sem virar as costas para a música que está acontecendo aqui em Santa Maria”.

Ao tocarmos no assunto “mídia”, senti um descontentamento no grupo – que, por sinal, é meu também. Lembro de alguns anos atrás, em que extintas rádios da cidade buscavam um som diferente para tocar, lembro de festivais que também abriam espaço para as bandas locais, que existiram por duas ou três edições e sumiram do mapa. Enquanto falávamos sobre isso, Neny comentou: “Qualquer cidade do interior vai ser comparada com a capital, mas eu acho que Santa Maria não deve nada para Porto Alegre com relação a bons músicos. O problema é que lá o pessoal investe mais na parte da imagem e músicas próprias, e aqui o pessoal investe mais em tocar. Todo mundo diz ‘Porto Alegre é a cena’, mas lá tem a RBS, o Papo Clip, o Radar, e eles dão exposição. Em Santa Maria, falta um veículo de comunicação que incentive as bandas a produzirem, porque se a galera não conhece, ela não vai sair de casa pra ir ver aquela banda tocar as músicas próprias. E também não adianta eles incentivarem, e as bandas não se mexerem... dá pra contar nos dedos as bandas que fazem som próprio aqui. A medida que tem banda compondo, tem que ter a mídia apoiando também. As duas coisas andam juntas.”

Então, fica o alerta para os veículos de comunicação da cidade acordarem para o que acontece aqui dentro; também para os músicos não desistirem de mostrar o seu trabalho; Mas mais ainda para a galera, que sai por aí nessas sextas-feiras de universitários: vamos incentivar o que é nosso e o que vale a pena ouvir.

Quem quiser conhecer mais sobre a banda Crema, aí vão alguns links:

Comunidade da Crema no Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=9612573
Clipe “Você sabe sim”:
http://www.youtube.com/watch?v=jCIxab_nCwI&mode=related&search

Observação: Quanto às fotos, um agradecimento especial para o Everton, a melhor companhia das mencionadas noites de rockabilly e fotógrafo substituto, já que eu fui muito desfavorecida pela minha humilde altura.

Ah! Pra quem tinha comentado sobre o Pornô, do Irvine Welsh, eu atualizei o post do Trainspotting.

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